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Ciência e corpo humano

Como o cérebro distingue sonho da realidade

A relação entre sonho e realidade no cérebro é um dos temas mais intrigantes da neurociência. Durante o sono, vivenciamos situações intensas, sentimos emoções reais e, muitas vezes, acordamos com a sensação de que aquilo realmente aconteceu. No entanto, quando despertamos, o cérebro rapidamente reorganiza as informações e reconhece que tudo fazia parte de um sonho.

Mas como essa distinção ocorre? Por que, enquanto dormimos, aceitamos situações impossíveis como normais? E por que às vezes confundimos lembranças de sonhos com memórias reais?

Neste artigo, você vai entender como o cérebro processa sonhos, como diferencia experiências reais das imaginárias e o que acontece quando essa separação falha.

O que acontece no cérebro durante o sonho?

Para compreender a relação entre sonho e realidade no cérebro, primeiro é preciso entender o que ocorre enquanto dormimos.

A maior parte dos sonhos acontece na fase REM (Rapid Eye Movement), caracterizada por intensa atividade cerebral. Nessa etapa:

  • O cérebro apresenta atividade semelhante à vigília

  • As emoções ficam mais intensas

  • A imaginação é altamente ativa

  • O corpo permanece com os músculos relaxados

Ou seja, mesmo dormindo, o cérebro continua trabalhando ativamente.

Quais áreas cerebrais são ativadas nos sonhos?

Durante a fase REM, algumas regiões ficam mais ativas, enquanto outras reduzem sua atividade.

Área cerebralFunção durante o sonho
Sistema límbicoIntensifica emoções
HipocampoProcessa memórias
Córtex visualCria imagens mentais
Córtex pré-frontalAtividade reduzida

O córtex pré-frontal, responsável pelo pensamento lógico e pela análise crítica, apresenta menor atividade durante o sonho. Por isso, aceitamos situações absurdas como naturais.

Assim, a ausência de julgamento lógico explica por que não questionamos a “realidade” do sonho enquanto ele acontece.

Como o cérebro distingue sonho e realidade?

Quando acordamos, o córtex pré-frontal retoma seu funcionamento pleno. Ele reorganiza as experiências vividas e as classifica como produto da imaginação.

Portanto, a diferença entre sonho e realidade no cérebro depende principalmente do nível de ativação das áreas responsáveis pela lógica e pela percepção sensorial.

Na vida desperta:

  • Os sentidos recebem estímulos reais do ambiente

  • O cérebro integra informações externas

  • O pensamento crítico está ativo

Nos sonhos:

  • Não há estímulos externos reais

  • As imagens são geradas internamente

  • O julgamento lógico é reduzido

Essa combinação cria experiências vívidas, mas desconectadas da realidade física.

Por que os sonhos parecem tão reais?

Os sonhos parecem reais porque o cérebro utiliza as mesmas áreas sensoriais ativadas durante experiências verdadeiras.

Quando sonhamos que estamos correndo, por exemplo, o cérebro ativa regiões associadas ao movimento. Se sonhamos com medo, a amígdala — ligada às emoções — entra em ação.

Assim, mesmo sem estímulo externo, o cérebro produz sensações autênticas.

Por que às vezes confundimos sonho com memória real?

O hipocampo, estrutura responsável pela memória, também participa da construção dos sonhos. Como resultado, o cérebro pode misturar lembranças reais com elementos imaginários.

Em alguns casos, isso gera:

  • Falsas memórias

  • Sensação de déjà vu

  • Dificuldade temporária em distinguir eventos

Essa confusão é mais comum logo após acordar, quando o cérebro ainda está ajustando seus padrões de atividade.

O que são sonhos lúcidos?

Os sonhos lúcidos são experiências em que a pessoa percebe que está sonhando enquanto o sonho ainda acontece.

Nesse caso:

  • O córtex pré-frontal apresenta maior ativação

  • Há maior consciência

  • A pessoa pode, às vezes, controlar o sonho

Esse fenômeno mostra como a linha entre sonho e realidade no cérebro pode ser parcialmente flexível.

O cérebro cria sonhos com base na realidade?

Sim. A maioria dos sonhos utiliza memórias, experiências e emoções do cotidiano como matéria-prima.

No entanto, o cérebro combina esses elementos de forma criativa. Ele pode:

  • Alterar cenários

  • Misturar pessoas

  • Criar situações improváveis

Portanto, os sonhos não são cópias da realidade, mas reorganizações simbólicas das experiências vividas.

O que acontece quando a distinção falha?

Em situações raras, alterações neurológicas ou psiquiátricas podem afetar a capacidade de distinguir sonho e realidade no cérebro.

Distúrbios como:

  • Paralisia do sono

  • Transtornos dissociativos

  • Algumas psicoses

podem gerar confusão entre experiências internas e externas.

No entanto, para a maioria das pessoas, o cérebro consegue separar claramente essas dimensões ao despertar.

O papel das emoções na construção dos sonhos

As emoções exercem influência direta sobre o conteúdo onírico. Experiências intensas do dia anterior tendem a aparecer nos sonhos.

Isso ocorre porque o sono REM também participa da regulação emocional. Durante esse período, o cérebro reorganiza experiências afetivas, ajudando a reduzir a carga emocional associada a eventos marcantes.

Assim, o sonho pode funcionar como ferramenta de processamento psicológico.

Curiosidades sobre sonho e realidade no cérebro

Para aprofundar o tema, veja alguns fatos interessantes:

  • Sonhamos todas as noites, mesmo quando não lembramos.

  • O cérebro pode criar rostos inéditos combinando memórias visuais.

  • A sensação de queda durante o sono está ligada a ajustes neurológicos.

  • Sonhos podem durar apenas alguns minutos, mas parecem longos.

Esses detalhes reforçam a complexidade da atividade cerebral durante o sono.

Sonho e realidade no cérebro dependem do nível de consciência

Entender a relação entre sonho e realidade no cérebro mostra como a mente humana é sofisticada. Durante o sono, o cérebro cria experiências intensas usando memória, emoção e imaginação. No entanto, ao despertar, áreas responsáveis pela lógica entram em ação e reorganizam essas vivências.

A distinção entre sonho e realidade depende do equilíbrio entre percepção sensorial e pensamento crítico. Quando esse equilíbrio funciona corretamente, reconhecemos o que é real e o que pertence ao universo onírico.

Portanto, os sonhos não são apenas histórias aleatórias. Eles representam uma parte ativa do funcionamento cerebral, revelando como o cérebro constrói — e reconstrói — nossa percepção do mundo.

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