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Psicologia e Comportamento

O que é doomscrolling e por que é tão difícil parar de rolar a tela?

Você pega o celular para verificar uma única notícia. Poucos minutos depois, já passou por acidentes, conflitos, crises econômicas, crimes e dezenas de comentários preocupantes. Quando percebe, muito mais tempo se passou do que pretendia. Essa sequência ajuda a explicar o que é doomscrolling e por que o comportamento se tornou tão associado ao uso das redes sociais e dos smartphones.

O termo descreve o hábito de continuar consumindo conteúdos predominantemente negativos ou angustiantes, mesmo quando essa exposição começa a causar desconforto. Embora notícias sejam um exemplo frequente, o comportamento também pode ocorrer com vídeos, publicações e discussões sobre acontecimentos preocupantes.

Informar-se não é o problema. A diferença aparece quando a busca deixa de ter um objetivo claro e se transforma em um ciclo difícil de interromper.

O que significa doomscrolling?

A palavra combina doom, termo em inglês relacionado a desgraça, fatalidade ou acontecimentos ruins, com scrolling, movimento de deslizar continuamente pela tela. Em português, a expressão costuma permanecer em inglês justamente porque se popularizou dessa maneira na internet.

Na prática, doomscrolling acontece quando alguém passa repetidamente de um conteúdo negativo para outro. Uma notícia preocupante desperta interesse, depois surge uma atualização relacionada e, em seguida, aparece outro acontecimento igualmente inquietante.

Esse processo pode durar poucos minutos ou ocupar períodos consideravelmente maiores. O ponto central não está apenas no tempo, mas na dificuldade de interromper a sequência mesmo quando ela já não está acrescentando informações realmente úteis.

Além disso, doomscrolling não representa simplesmente acompanhar acontecimentos ruins. Uma pessoa pode ler notícias negativas de maneira consciente e encerrar a atividade normalmente. O padrão se torna problemático quando a procura passa a ser repetitiva, desgastante e difícil de controlar.

Por que notícias negativas prendem tanto a atenção?

Situações potencialmente ameaçadoras naturalmente despertam atenção. Saber que existe algum perigo ao redor possui importância prática, portanto informações sobre riscos podem parecer especialmente urgentes.

Na internet, esse mecanismo encontra um ambiente com quantidade praticamente ilimitada de conteúdo. Depois de ler uma notícia preocupante, o usuário pode sentir necessidade de procurar mais informações para entender se existe algo novo ou descobrir como a situação terminará.

Entretanto, muitas histórias não oferecem uma resposta imediata. Crises políticas, conflitos, problemas econômicos e investigações podem se desenvolver durante dias ou meses. Consequentemente, sempre existe alguma atualização disponível.

A sensação de que a próxima publicação finalmente esclarecerá tudo ajuda a manter a pessoa rolando a tela. Porém, em muitos casos, ela encontra apenas novas versões do mesmo problema.

Redes sociais podem facilitar esse ciclo

O formato das plataformas digitais favorece o consumo contínuo. Quando uma publicação termina, outra já aparece imediatamente, eliminando a necessidade de decidir conscientemente se vale a pena continuar.

Recomendações também costumam considerar sinais de interesse e interação. Se determinado assunto recebe atenção, conteúdos relacionados podem aparecer novamente, embora o funcionamento exato varie entre plataformas.

Isso cria uma situação curiosa. A pessoa pode consumir notícias negativas porque elas aparecem frequentemente e, ao mesmo tempo, essas publicações podem continuar surgindo porque despertaram sua atenção anteriormente.

Comentários acrescentam outra camada. Depois de ler a notícia, muitos usuários entram em discussões, encontram opiniões conflitantes e seguem para novos conteúdos relacionados. Dessa forma, uma consulta rápida pode facilmente se transformar em uma sessão muito maior.

Doomscrolling acontece somente com notícias?

Não. Embora o termo esteja fortemente associado ao noticiário, a mesma dinâmica pode aparecer em outros conteúdos negativos.

Uma pessoa preocupada com desemprego, por exemplo, pode passar horas lendo relatos sobre demissões. Alguém inseguro sobre determinada doença pode entrar em uma sequência de histórias preocupantes, enquanto outro usuário acompanha continuamente previsões pessimistas sobre economia ou tecnologia.

Discussões nas redes sociais também podem alimentar esse comportamento. Brigas, comentários agressivos e histórias revoltantes despertam emoções fortes e podem manter a atenção mesmo quando não oferecem nenhuma informação relevante.

Portanto, o formato importa menos do que o padrão de consumo. O ciclo costuma envolver preocupação, procura repetitiva por mais conteúdo e dificuldade para encerrar a atividade.

Como saber se o hábito está exagerado?

Não existe uma quantidade universal de minutos que transforme automaticamente o uso do celular em doomscrolling. A relação entre comportamento e consequências oferece pistas mais úteis.

Um sinal aparece quando a pessoa entra em uma rede para verificar alguma informação e percebe repetidamente que permaneceu muito mais tempo do que pretendia. Outro ocorre quando o conteúdo consumido começa a interferir no sono, na concentração ou nas atividades do cotidiano.

Também vale observar como você se sente depois. Se uma sessão longa quase sempre termina com maior tensão e pouca informação realmente aproveitável, talvez seja necessário modificar a maneira de acompanhar esses assuntos.

A repetição é outro ponto importante. Verificar a mesma notícia diversas vezes em busca de pequenas atualizações pode oferecer uma sensação temporária de controle, embora nem sempre acrescente algo relevante.

O hábito pode atrapalhar o sono?

O período antes de dormir merece atenção porque uma consulta rápida ao celular pode facilmente ultrapassar o horário planejado para descanso.

Além do tempo perdido, conteúdos emocionalmente intensos podem manter a mente envolvida em problemas justamente quando ela deveria desacelerar. A pessoa fecha o aplicativo, porém continua pensando nas notícias que acabou de consumir.

Notificações durante a noite ainda podem incentivar novas verificações. Uma atualização aparentemente urgente leva a outra notícia e o ciclo recomeça.

Criar alguma distância entre noticiário e horário de dormir pode ajudar. Isso não exige abandonar completamente o celular, mas estabelecer um momento para encerrar conteúdos que costumam provocar maior envolvimento emocional.

Como parar o doomscrolling sem abandonar as notícias?

Evitar todas as notícias não é necessário nem realista para muitas pessoas. Uma alternativa mais prática é transformar o consumo infinito em uma atividade com começo e fim.

Em vez de verificar atualizações durante todo o dia, escolha determinados momentos para se informar. Assim, a leitura deixa de acontecer automaticamente sempre que surge um intervalo de alguns minutos.

Desativar notificações pouco importantes também reduz estímulos. Nem toda atualização precisa interromper imediatamente aquilo que você está fazendo.

Outra medida simples consiste em entrar diretamente nas fontes que pretende consultar, em vez de começar por um feed infinito. Depois de ler aquilo que procurava, existe um ponto natural para encerrar a atividade.

Limites de tempo realmente ajudam?

Limites podem funcionar principalmente porque tornam o comportamento mais visível. Quando o celular informa que determinada quantidade de tempo já foi utilizada, surge uma oportunidade consciente de decidir se vale a pena continuar.

Entretanto, simplesmente configurar um limite muito rígido não resolve necessariamente o hábito. Se ele for ignorado todos os dias, pouco muda.

Uma estratégia complementar é criar alguma dificuldade para o acesso automático. Retirar aplicativos da tela inicial, desativar notificações ou evitar levar o celular para a cama acrescenta pequenos obstáculos antes de começar a rolagem.

Também vale substituir o hábito em determinados momentos. Se pegar o telefone durante uma pausa acontece automaticamente, deixar outra atividade simples disponível pode ajudar a quebrar a sequência.

Curadoria pode melhorar a relação com a informação

Quanto maior o número de fontes acompanhadas, maior a possibilidade de receber repetidamente versões semelhantes da mesma notícia. Selecionar alguns canais confiáveis pode reduzir essa redundância.

Newsletters, resumos e horários específicos para leitura também ajudam quem deseja continuar informado sem acompanhar cada atualização em tempo real.

Além disso, diferenciar informação de comentário faz diferença. Depois de compreender o acontecimento, passar mais uma hora lendo discussões talvez não acrescente fatos novos.

A pergunta “já aprendi o que precisava sobre isso?” pode funcionar como um ponto de saída. Quando a resposta é positiva, continuar rolando a tela provavelmente está atendendo outra necessidade que não a de informação.

Quando procurar ajuda profissional?

Em muitos casos, ajustes simples na rotina conseguem reduzir o consumo excessivo. Entretanto, algumas pessoas percebem que a preocupação relacionada às notícias se torna persistente e começa a afetar diferentes áreas da vida.

Se o comportamento estiver associado a sofrimento intenso, dificuldade frequente para dormir, prejuízo nas atividades diárias ou sensação de perda de controle, conversar com um profissional de saúde pode ser apropriado.

O objetivo não é transformar todo uso prolongado das redes sociais em um problema clínico. Há dias em que acontecimentos importantes naturalmente fazem as pessoas acompanharem o noticiário por mais tempo.

A atenção deve se concentrar principalmente na frequência e no impacto. Quando o hábito começa a prejudicar bem-estar e rotina, procurar orientação oferece uma maneira mais individualizada de lidar com a situação.

Informação não precisa significar exposição permanente

Compreender o que é doomscrolling ajuda a perceber uma diferença importante entre estar informado e permanecer conectado continuamente a tudo aquilo que acontece. Depois de determinado ponto, consumir mais atualizações pode acrescentar pouco conhecimento e apenas prolongar a exposição.

Pequenas mudanças costumam tornar esse limite mais perceptível. Definir horários para notícias, reduzir notificações, selecionar fontes e evitar feeds infinitos antes de dormir cria interrupções que não existem naturalmente nas plataformas.

Também não é necessário sentir culpa sempre que uma sequência de notícias prender a atenção. O mais útil é reconhecer quando isso acontece e descobrir quais situações costumam iniciar o ciclo.

A internet continuará oferecendo uma próxima publicação sempre que a tela for deslizada. Criar um momento consciente para parar é justamente o que devolve ao usuário a decisão sobre quando já recebeu informação suficiente.

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